domingo, 29 de agosto de 2010

Tráfego acidental

Vermelho, amarelo,verde
Faixa de pedestre 
Motorista irresponsável
Carteira comprada, ou até roubada
Bebê chorando no banco trazeiro
As buzinas soam, o tempo não passa


De repente não se via verde, ou amarelo
Carros parados, algo se passa


Vermelho, vermelho, vermelho
Desta vez devido aos glóbulos vermelhos
Sem noção, o motorista acelerou
O bebê parou de chorar
Listras brancas sem passos em cima
Apenas com corpos frios
Carteira manchada
O silêncio se fez...


A sirene chegou, acabou
De resto as manchas no chão
Mais um dia de cão.

horizonte

Tão colorido, ofuscante, brilhante
O horizonte se encontra
Tudo porque estás ao meu redor
Desde cada grão de pólen
A cada orvalho do amanhecer
Porque cada lembrança tua é presente
O calmante mais aceitável aqui dentro


Os batimentos aceleram
Quando vagas em meus olhos
Quando me tocas
Provocas quase que uma taquicardia


Não resta nada a fazer 
Se não recordar-te
Ao apreciar esse horizonte
Que me faz sempre te lembrar.



Um dia

 Você vai estar sozinho, vai fechar os olhos, e tudo estará negro; os números da sua agenda passarão claramente na sua frente e você não terá nenhum para discar. Sua boca vai tentar chamar alguém, mas não haverá ninguém solidário o bastante para sair correndo e te dar um abraço, nem te colocar no colo ou acariciar teus cabelos até que o mundo pare de girar; nessa fração de segundos quando seus pés se perderem no chão, você vai lembrar da minha ternura, do meu sorriso infantil. Viram súbitas memórias gostosas dos meus abraços e beijos, da minha preocupação com você e só vai ter um tipo de música a tocar no seu rádio: as nossas, a nossa trilha sonora.
  Em um novo momento você vai sentir um aperto no peito, uma pausa na respiração e vai torcer bem forte para ter o nosso mundinho de novo, e o nome disso é SAUDADE, aquilo que eu tinha e te falava sempre. E quando você finalmente discar meu número, ele estará ocupado demais, ou nem será o mesmo, ou até eu nem queira atender, e se você bater na minha porta, ela estará muito bem trancada, se aberta... mostrará uma casa vazia; nesse instante, teus olhos te ensinarão o que são lágrimas, aquelas que eu te disse que ardiam tanto. O nome do enjôo que você vai ter é arrependimento, e a falta de fome que virá, chama-se TRISTEZA.
  Então quando os dias passarem e eu não te ligar, quando nada de bom acontecer e ninguém te olhar com meu olhar encantador, você encontrará a famosa SOLIDÃO.
A partir daí, o que acontecerá chama-se surpresa, e provavelmente o remédio parar todas as sensações acima é o tal TEMPO, do qual você tanto me falava.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

calada da noite

Frio, vazio, sombrio
O vão da noite quieta
A bela sossega e cai
Meio a um redemoinho de perguntas
Se tem motivo para tanta sofreguidão


Pensa, reflete, acalma, dorme
De tremer até a sua última fibra muscular
Ela sobe e plana com prazer
Estrelado, puro, brilhante
O céu está a conhecer



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

não posso

Não posso te deixar 
Se te vejo em todos os lugares

Não posso te esquecer
Se te levo no sangue

Se ainda me perco len..ta..mente 
no nosso último abraço



terça-feira, 17 de agosto de 2010

ausência

Evitada por muito, eis que o tempo chegou
A tua ausência se tornou aceitável, comum
Tempo esse que um dia fez tudo parar
Hoje é motivo de tanto vazio no dentro do meu peito


Seguir a espera para que este seja preenchido
Já não é suficiente, não sacia, virou bobagem
Cansada, fatigada, fraquejada, desencorajada
A alma segue sega, ao ponto de não saber que rumo tomar


E canta, e brilha, e sofre
A velha e feliz alma esquecida
Preenche-me com o que restou, talvez de um amor
Seu último, perdido suspiro de lembrança

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

fantasias.

Encontrei arrepios, medos, sensações extravagantes e suaves
Juntei os cacos espalhados, sem-sentido
Neste dia criei, imaginei tudo de agradável que minh'alma precisara
Criei outro mundo, outro planeta, loucamente impossível

Parada frente aos redemoinhos de ventos frios e cinzas
Cantei com os passarinhos, voei pelo azul do céu
Peguei um lápis de cor e logo colori minhas asas
Adornei com brilhantina e festejei

O dia dura meses de muita correria e aprendizagens
Então surgia a noite, que ficava cerca de algumas semanas
Sempre chove quando a tristeza aparece
Porém, no fim o alegre arco-íris inova a alma e o ar
E tudo o mais era magia, fantasias reais a encantar

domingo, 15 de agosto de 2010

saudade.




Pedi ao tempo que ele fosse menos preguiçoso e andasse mais depressa, pois já não aguento mais!
Pressa essa que tenho pra curar essa saudade, e matar esse meu desejo
Cortei as asas dos meus pensamentos, só assim evito que toda noite ele vague por ai a tua procura...
Na solidão da minha cama, o frio já não é mais um incomodo, fecho os olhos lembro o teu sorriso
E escuto em meu peito o coração sussurrar baixinho o teu nome.. teu cheiro ainda está em meu lençol, lembrando-me do quanto a saudade dói.